terça-feira, 16 de outubro de 2007

Técnico Arturzinho exige amor ao Bahia

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Nada de festas, comemorações, ensaios, shows, praia, farras, ou qualquer ação que desvie a atenção da comissão técnica e jogadores. Agora o único foco do Bahia nos próximos 43 dias é a permanência do clube no G-4 da Série C, no qual os quatro melhores times do octogonal decisivo sobem para a Série B do Campeonato Brasileiro de 2008.

Departamento Médico

Esse foi o tema do treinador nos trabalhos de ontem pela manhã no Fazendão, com um argumento que motivou ainda mais o desabafo do treinador: a ausência de jogadores como Carlos Alberto, Adílson, Moré e Eduardo que foram direto para o Departamento Médico se queixando de pequenas lesões, e não desceram para treinar.

O técnico Arturzinho não questionou o grau e nem o tipo da lesão apresentada pelos jogadores, mas aproveitou para ressaltar que o Bahia precisa de amor total de todos que estão nesta missão de devolver o clube à Série B no próximo ano, mesmo que isso signifique a abstenção de alguns direitos e a superação de problemas que possam colocar em risco a própria escalação do time e os resultados dos jogos no octogonal decisivo da Série C.

Arturzinho insatisfeito

O Bahia venceu o Crac por 1 a 0, mas foi vaiado por uma multidão, mais de 60 mil – entre pagantes e não pagantes – insatisfeitos torcedores com o mau futebol apresentado pelo time baiano. O técnico Arturzinho também está insatisfeito, reconhece a queda de produção de alguns jogadores, limitações da equipe. Lamenta a seqüência de contusões e suspensões a cada partida, e por isso, exige que “cada um cumpra o seu dever” e se doe, se dedique, sem limites, ao clube.

“Eu abri mão de tudo, não saio, não vou a lugar nenhum até a última partida do Bahia e a volta à Série B. Se pudesse, juro que me fecharia esses 43 dias com todo o grupo, numa concentração rumo à classificação. Mas o Bahia não teria dinheiro pára esse investimento, e precisaria da concordância, apoio e compreensão de todos os jogadores”, desabafou o treinador.

As Contas

O torcedor precavido sacou da gaveta a calculadora e iniciou os cálculos por conta própria. Quantos pontos garantem o Bahia na Série B 2008? A pergunta ganhou sentido assim que Charles acertou o pé contra o Fast e colocou a equipe no octogonal final da Série C do Brasileiro. O número pode não ser exato, mas o prognóstico mais otimista aponta 23 _ sete vitórias e dois empates nas 14 partidas que se estendem até o dia 28 de novembro.

Subtraídos os três pontos conquistados contra o Crac-GO, outros 20 encerram a conta baseada na ascensão do Barueri-SP, quarto e último classificado na temporada 2006. O clube paulista passou com sobras, quatro pontos à frente do quinto colocado, o Ferroviário-CE, mas seria imprudente contar com a mesma fragilidade dos adversários este ano. Então, adote-se o aproveitamento de 54,8% dos 42 pontos possíveis.

Criciúma-SC em 2006

Diga-se de passagem, muito inferior ao ostentado pelo Bahia nas 19 partidas disputadas até agora: 73,68%. A eficácia é semelhante à do campeão Criciúma-SC no octogonal 2006 (73,8%). O tricolor é, aliás, o único remanescente das finais do ano passado. Adquiriu know-how que pode lhe ser útil na caça aos pontos, mas, para efeitos práticos, é suficiente manter o ritmo de vitórias na Fonte Nova e arrancar dois empates fora.

Novo-velho problema

O técnico Arturzinho corrobora a tese. “Valeu pelos três pontos. Se continuarmos vencendo em casa, estaremos mais perto da Série B”, analisou, após a vitória por 1x0 sobre o Crac. Mas a atuação abaixo da crítica deixou o treinador com um novo-velho problema para administrar. “Alguns jogadores não tiveram bom desempenho (domingo). Não vou citar nomes, mas eles têm que saber lidar com a pressão, porque agora vai ser assim todo jogo”, argumentou.

O fator psicológico preocupa desde a terceira fase. O time passou por maus bocados quando a coisa apertou na Arena da Floresta (AC), Frasqueirão (RN) e até na Fonte Nova, contra o Fast Clube-AM. A classificação arrastada facilitou a implantação do esquema “linha-dura”, mas uma semana não foi suficiente para notar qualquer efeito prático.

Formação

O time manteve a desorganização corriqueira nos últimos jogos e voltou a assustar sua torcida. “Nossos laterais avançaram ao mesmo tempo e tivemos problemas na marcação. No segundo tempo, corrigimos o problema e optei por não agredir tanto o adversário”, explicou Arturzinho. A solução defensiva foi substituir o meia Elias pelo zagueiro/volante Rogério – líbero nato em sua primeira partida nesta Série C.

E tudo indica que jogador e esquema serão mantidos para a partida contra o Vila Nova-GO, no Serra Dourada, às 19h30 (horário da Bahia) desta quinta-feira. A probabilidade cresce quando analisado o primeiro resultado do time goiano neste octogonal: 5x1 sobre o Nacional-PB, na cidade paraibana de Campina Grande.

Túlio Maravilha

O Bahia precisará mesmo de reforço defensivo para conter a fúria do veterano Túlio Maravilha, autor de quatro gols no sábado passado. Ainda mais porque Nonato não estará em campo para equilibrar a balança dos gols. O atacante tricolor cumpre suspensão pelo terceiro cartão amarelo e adia o duelo de artilheiros da Série C para o dia 25 de novembro, na Fonte Nova. Por enquanto, Túlio leva vantagem no confronto (17 a 15).

Além de Nonato, Arturzinho busca substitutos para Inho e Cléber Carioca, também suspensos por acúmulo de cartões. Adilson, Carlos Alberto, Eduardo e Moré visitaram o departamento médico na reapresentação da manhã de ontem, mas devem se recuperar até quinta-feira.

Vila Nova está invicto há oito partidas

O Vila Nova tem a maior invencibilidade da Série C. Nas últimas oito partidas, ganhou cinco e empatou três. A campanha com o treinador Artur Neto registra sete triunfos, três empates e uma derrota por 1x0 para o Crac, em Catalão. Artur Neto substituiu Sérgio Cosme justo após a primeira derrota para o Crac: 3x1, no Serra Dourada, único revés como mandante.

A novidade contra o Bahia, depois de amanhã, pode ser o atacante Wando, liberado pelo departamento médico. O atacante disputou a Série A do ano passado por Cruzeiro e Botafogo, porém não se firmou e retornou ao alvirrubro goiano. Seu concorrente é Juninho Cearense, ex-Bahia.

Artilheiro da Série C com 17 gols, o irreverente Túlio Maravilha, 38 anos, tem vaga garantida. Autor de quatro gols na estréia do octogonal contra o Nacional, na Paraíba, ele pôs como meta os 900 gols na carreira. Nas suas contas, 803 gols foram marcados. Túlio foi por três vezes artilheiro do Campeonato Brasileiro – 1989 (11) pelo Goiás, 1994 (19) e 1995 (23), pelo Botafogo.

Campeão goiano nesta temporada pelo Atlético, o treinador Artur Neto usa no Vila Nova o esquema tático que funcionou no estadual. Fecha o time com três volantes (Alison, Heleno e Alexandre) e oferece total liberdade a um meia avançado (Alex Oliveira). Os laterais Michel, pela direita, e especialmente Possato, pela esquerda, apóiam o ataque.

Fonte - Correio da Bahia/Tribuna da Bahia

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